Associação de Fotógrafos Fototech

UPDIG

fevereiro 4, 2010 by  
Filed under Documentos, Guias

UPDIG

Guia Prático Universal para Imagens Digitais

As regras originais, atualizadas constantemente, estão no website da UPDIG, em http://www.updig.org; use este link para updates e informações suplementares.

Estas 15 regras – junto com o documento anexo “Práticas Recomendadas” – tem a intenção de esclarecer possíveis dúvidas que costumam afetar a perfeita reprodução e gerenciamento dos arquivos digitais de imagem. Embora estas regras, na sua maioria, reflitam a perspectiva do fotógrafo profissional, qualquer um que trabalhe com imagens digitais pode se beneficiar delas.

As regras tem três objetivos principais:

  • Fazer com que as imagens digitais mantenham a mesma aparência quando são transferidas entre diferentes dispositivos, plataformas ou fabricantes.
  • Fazer com que as imagens digitais sejam preparadas na resolução correta e no tamanho correto para os dispositivos onde elas serão visualizadas e impressas.
  • Fazer com que as imagens digitais levem incorporados metadados que sigam o padrão IPTC (International Press and Telecomunications Council), definindo a sua autoria, copyright, direitos de uso, e permitindo a busca e indexação destas por mecanismos eletrônicos.

As Regras

1. Gerencie as cores.
Gerenciamento de cores baseado nos perfis ICC, como padrão.
ICC website: http://www.color.org

2. Calibre seu monitor.
Monitores devem ser calibrados e caracterizados (perfilados), por meio de dispositivos baseados em hardware; colorímetros ou spectrofotômetros.
Mais sobre calibração de monitores aqui.

3. Escolha um gamut amplo.
Use um espaço de cor RGB de grande amplitude para capturar e editar seus arquivos-mestre RGB. UPDIG recomenda o Adobe RGB (1998) ou o ProPhoto RGB.
Veja uma discussão mais profunda sobre espaços de cor aqui.

4. Capture os dados em RAW.
Para a maior qualidade das imagens, câmeras digitais devem gerar e gravar arquivos em RAW.
Veja também a discussão sobre arquivos RAW aqui.

5. Incorpore os perfis ICC.
Todos os arquivos digitais devem levar incorporados perfis ICC (tagged files), a não ser em situações especiais descritas mais adiante. A janela de Gerenciamento de Cores do Photoshop (Color Settings) deve estar configurada para “sempre preservar os perfis incorporados”, e as opções de “perguntar ao abrir” devem estar marcadas, para que o usuário seja alertado sobre perfis diferentes ou perfis não-incorporados. Se na entrada do arquivo, este levar incorporado um perfil diferente daquele usado no espaço de trabalho, a recomendação é a de se manter o perfil já incorporado.

6. Recomendações de espaços de cor:
a.) Para a web, converter as imagens para sRGB ou incorporar o perfil sRGB antes da entrega do arquivo ou de sua publicação na web.
b.) Para prints digitais profissionais de laboratórios digitais, se um ICC personalizado do laboratório for disponível, deve ser usado para o “soft proof”. Submeta então o arquivo com o perfil sRGB incorporado, ou Adobe RGB (caso raro; PERGUNTE antes!), conforme for especificado pelo laboratório.
Se o laboratório não possuir, ou não disponibilizar o seu perfil ICC, geralmente o recomendado é se usar o sRGB como perfil incorporado.
Mais sobre Laboratórios Digitais Profissionais aqui.
c.) Para prints digitais de minilabs, um banco de dados internacional, de perfis personalizados (Dry Creek Photo), está disponível para consulta. Caso não encontre a opção correta, entregue os arquivos perfilados em sRGB.
d.) Para impressão offset (CMYK), o primeiro passo é sempre perguntar ao produtor gráfico do cliente, da agência, do fotolito ou da gráfica, qual o formato de arquivo, resolução de saída e espaço de cor a ser usado para aquela impressão específica. Arquivos RGB contêm muitas cores que não podem ser reproduzidas pelas impressões CMYK convencionais. Este fato leva geralmente a uma situação onde o resultado final, em termos de cor, acaba ficando muito distante do que se viu no monitor, ou da impressão jato de tinta daquele mesmo arquivo.
Existem duas maneiras de se evitar esta situação, tão comum:
1.) Arquivos podem ser entregues já convertidos para o CMYK da saída final. Esta é a estratégia mais segura e a mais recomendada, que não vai provocar surpresas desagradáveis depois do arquivo impresso, já que o arquivo não vai conter cores fora de gamut e que não possam ser reproduzidas na impressão offset.
2.) Arquivos podem ser entregues como RGB e acompanhados por um guia de cores que inclua apenas aquelas cores possíveis de serem impressas em CMYK.
Veja aqui uma discussão mais profunda sobre este procedimento.

Arquivos podem também ser entregues tanto em CMYK quanto em RGB. Isto permite ao fotógrafo tomar decisões artísticas sobre a renderização das cores, e dá ao impressor mais ferramentas para poder recuperar eventuais erros que o fotógrafo possa ter cometido na conversão RGB-CMYK. O ideal é que se convertam os arquivos de RGB para CMYK usando-se o padrão CMYK fornecido pela gráfica. Não é, porém, sempre possível se conseguir este padrão CMYK personalizado, ou porque a gráfica não possui um, ou porque o cliente ainda não sabe que gráfica vai ser usada.
Nestes casos, o melhor é entregar um arquivo-mestre em RGB, com um perfil conhecido incorporado e um arquivo de texto “leia-me” que especifique: “para maior fidelidade de cores, o perfil incorporado deve ser preservado quando o arquivo for aberto”.
Perfis CMYK e a alternativa RGB são discutidos também aqui.
e.) Para impressoras inkjet e dye-sublimation, use um gamut de cor amplo, como o Adobe RGB, como espaço de entrada. Use então um perfil personalizado da combinação papel-impressora como espaço de impressão, para obter a melhor qualidade possível e a imagem mais próxima da visualizada em seu monitor calibrado.
Detalhes sobre impressoras podem ser vistos aqui.

7. Formatos e nomes.
Formatos de arquivos devem sempre ser indicados pela extensão de três letras, padrão dos sistemas operacionais.
a.) Para a web, use JPEG (.jpg).
b.) Para print offset, o TIFF (.tif) não-comprimido, e sem layers, é a melhor opção. Só use JPEG quando a largura de banda ou o espaço de armazenamento não permitirem o uso do TIFF.
Se for obrigado a usar JPEG, use a maior qualidade possível (menor compressão).
Recomendamos nunca usar menos que qualidade “8”.
Para evitar problemas com arquivos que serão transferidos entre plataformas (Unix, Mac para PC ou vice-versa), nomeie os arquivos somente com letras do alfabeto, sem acentos, e use numeral de 0 a 9. Não use marcas de pontuação nem caracteres especiais, apenas hífen e underline. Procure manter os nomes, incluindo extensão, com menos de 31 caracteres para trafegar em redes, e com 11 caracteres ou menos para gravar CDs e DVDs, caso o sistema operacional do destinatário não suporte nomes longos.
Para o guia completo de nomes permitidos e caracteres reservados, veja o site do Controlled Vocabulary: <http://www.controlledvocabulary.com/imagedatabases/filename_limits.html>

8. Resolução apropriada.
Imagens digitais têm sempre a sua resolução descrita por três números distintos: altura, largura e ppi (pixels per inch).
Atenção: é fácil confundir ppi (pixels per inch), com dpi (dots per inch), e com lpi (lines per inch). Dpi sempre se refere a dispositivos de impressão, e o lpi descreve uma tela de meio-tom (halftone grid ou screen), geralmente usada para imprimir em offset. A confusão ocorre porque ppi e dpi costumam ter os mesmos valores numéricos.
As seguintes resoluções sugeridas, somente fazem algum sentido quando levam em conta a altura e largura reais com que este arquivo vai ser impresso, em sua forma final:
a.) Baixa (monitor ou “tela”): A resolução é definida como menos de 100 ppi.
b.) Média: Impressoras jato de tinta geralmente usam resoluções entre 180 ppi e 360 ppi.
c.) Alta: Impressões de tom contínuo (prints digitais fotográficos) necessitam de resoluções entre 250 ppi e 400 ppi.
d.) Alta offset: A impressão offset padrão geralmente é considerada como sendo de 300 ppi, mas resoluções de 1.4 a 2 vezes a lineatura da tela halftone (LPI) já são consideradas seguras.Se uma imagem vai ser impressa a 150 lpi, então um arquivo entre 195 ppi e 300 ppi pode ser suficiente.

9. Nitidez (sharpen) por último.
Todas as imagens digitais precisam de um filtro de nitidez, tanto na entrada quanto na saída, e a quantidade necessária depende sempre do tipo de uso que a imagem vai ter e do tamanho final da saída. Para a maioria dos usos, a melhor estratégia é usar pouquíssimo ou nenhum sharpen durante a captura ou a digitalização. Sharpening é uma arte que depende de estudo e prática. Existem muitas opiniões, por vezes discordantes, acerca do melhor método de aplicar ou restaurar a nitidez da imagem. O mais recomendado costuma ser: aplicar um ligeiro ganho de nitidez na entrada do arquivo, seguido por um sharpen localizado e, se necessário, um sharpen de saída ou impressão. O sharpening deve ser a etapa final do tratamento, pois as alterações de tamanho e de contraste afetam diretamente a nitidez da imagem. A melhor forma de avaliar a eficácia e qualidade do seu sharpening é a visualização em 100% no monitor, ou fazendo-se um print digital. O método mais comum é o de se usar o filtro “unsharp mask” (com configurações de valores mais altos para arquivos com maior resolução) do Photoshop, mas outros métodos de sharpening, incluindo o uso de plugins, scripts e actions para o Photoshop podem ser muito úteis. Oversharpening (excesso de nitidez) costuma criar halos óbvios em volta das bordas de contraste da imagem, e deve ser evitado a todo custo.

10. Entrega.
Imagens digitais devem ser entregues em mídia removível, o que inclui HDs externos, CD-Rs e DVD-Rs ou então entregues via FTP ou e-mail. Se os arquivos forem entregues em CD-R, o padrão de formatação é o ISO 9660 ou “Mac OS extended and PC (Hybrid) CD.” Quando a entrega for em DVD-R, tenha a certeza de que o destinatário pode ler o formato escolhido, já que até o momento não existe um padrão definitivo.
No Brasil, o mais comum é o DVD-R e não o DVD+R.
Frequentemente a pressa e a conveniência impõe uma entrega por FTP (File Transfer Protocol).
Embora não seja um método recomendado, a entrega por e-mail geralmente funciona bem se as imagens são em pequeno número e de tamanhos reduzidos, levando-se em conta que tanto o remetente quanto o destinatário precisam ter um limite alto de megabytes e de anexos permitidos pelo seu provedor de internet. E-mail algumas vezes funciona melhor se os arquivos forem primeiro comprimidos usando-se um software de compressão RLE, tais como WinZip ou Stuffit. Certifique-se que o destinatário possui o software de descompressão para o arquivo enviado.
A remessa via e-mail ou FTP deve necessariamente incluir um “guia de impressão” (comentado mais abaixo), onde esteja claro que a correta visualização e reprodução do arquivo vão depender do uso do gerenciamento de cores baseado em perfis ICC.
Uma discussão mais estendida sobre este assunto pode ser vista (em Inglês) no site:
http://www.riecks.com/digitalinfo.html

11. Informação do arquivo – Metadados.
Todas as imagens digitais devem levar incorporados metadados, que incluem a licença de uso, copyright, e informações de contato – todas compatíveis com os padrões do IPTC ou do novo IPTC Core. Usuários de Photoshop podem adicionar e editar estas informações escolhendo “File Info” no menu “File”. Ao acrescentar legenda, título, origem e palavras-chave, as possibilidades de busca são potencializadas e a organização dos arquivos pelos mecanismos de gerenciamento de dados digitais (DAMs) são facilitadas.
Metadados e os padrões IPTC são discutidos em detalhe (em Inglês) no site:
http://www.controlledvocabulary.com/imagedatabases/

12. Descreva o que está enviando.
Providencie um arquivo “leia-me” nos formatos .PDF, .HTML, ou .TXT anexado a todos os arquivos de imagem enviados para saída. Este arquivo-texto deve conter as especificações de tamanho das imagens, espaços de cor, licenças de uso, copyright do autor, informações de contato e, se for o caso, quais os direitos de reprodução e distribuição são permitidos ou proibidos. Finalmente, este “leia-me” deve explicitamente isentar de responsabilidade o fotógrafo, caso o fluxo de gerenciamento de cores baseado nos perfis ICC não seja seguido.

13. Envie um print como guia.
Sempre que possível, inclua um print digital como guia junto com os arquivos. Um print é, na maioria das vezes, uma cópia impressa em impressora desktop jato de tinta (inkjet), que vai servir como uma referência para a reprodução final da imagem.

14. Rótulos nos discos.
Não use etiquetas adesivas em mídias ópticas, pois as etiquetas podem se soltar e estragar o leitor de discos. Imprimir diretamente em CDRs ou DVD-Rs que permitam a impressão (printables) é uma boa forma de transmitir informações, tais como lista dos arquivos, copyrights, licenças de uso, e responsabilidades.

15. Arquivamento de longa duração.
As responsabilidades de arquivamento devem estar claramente definidas, por escrito, para todos os envolvidos. Fotógrafos devem ficar atentos ao fato que, se cobrarem do cliente pelo serviço de arquivamento, a responsabilidade pela integridade total destes dados, passa a ser inteiramente do fotógrafo. A prudência recomenda que todos os trabalhos sejam arquivados tanto em drives magnéticos externos quanto em mídias ópticas (CDRs, DVD-Rs) e que backups sejam mantidos em locais fisicamente diferentes.
Uma ampla discussão sobre técnicas de arquivamento e formatos pode ser vista aqui.


Práticas Recomendadas: Ferramentas e métodos para aplicação das regras.

O material abaixo expande e complementa as 15 regras que a UPDIG recomenda para assegurar a perfeita reprodução de fotos digitais, nos mais usuais ambientes comerciais de trabalho.
Os seguintes tópicos são discutidos:
1 – Monitores
2 – Câmeras
3 – Scanners
4 – Visualização de prints ou provas
5 – Laboratórios digitais profissionais (cor)
6 – Minilabs digitais
7 – Impressão offset
8 – Arquivos-mestre RGB
9 – Impressoras inkjet e dye-sublimation
10 – Prints digitais como provas
11 – Arquivamento
12 – Formatos de imagem para arquivamento

Monitores
Monitores de computadores precisam ser calibrados e caracterizados (perfilados), para que possam ser usados em um fluxo de trabalho digital. O padrão de curva tonal recomendado, hoje é o gamma de 2.2, tanto para Macintosh como para Windows, com uma temperatura de cor entre 5000K e 6500K. Normalmente 6000K ou 6500K vai produzir uma relação visual mais próxima com a saída impressa, quando visualizada a luz do dia.
Embora o padrão Macintosh tradicionalmente seja o gamma 1.8, testes comprovam que todos os monitores produzem gradientes mais suaves, e com menos chances de posterização, quando se usa o gamma 2.2.
Monitores LCD com correção de gamma de 8-bit ou 10-bit estão se tornando padrão em ambientes de trabalho profissionais; para que se obtenha a melhor performance de um LCD, este deve ser perfilado com gamma 2.2 e o ponto branco nativo. A maioria dos monitores LCD tem o ponto branco próximos de 6500K.
Valores de luminância podem variar entre 85 e140 candelas/m2, dependendo da luminosidade do seu ambiente de trabalho. A intenção é que a imagem vista na tela, seja a mais próxima possível do impresso, disposto em uma mesa de visualização D50 (luz do dia simulada).
A precisa calibração de monitores só é possível com o uso de aparelhos, chamados de colorímetros ou spectrofotômetros, tais como o Gretag-Macbeth Eye-One, ColorVision Spyder2, ou o Monaco Optix XR.
Outra ferramenta útil é um kit verificador de perfis (Profile Verification Kit). Este consiste em um arquivo de imagem digital, acompanhado por uma prova ou impresso. Depois de perfilar seu monitor, é feita uma comparação entre a imagem digital mostrada no Photoshop (ou outro programa profissional de imagem), e a prova impressa, vista em um ambiente com iluminante D50, o que vai mostrar o grau de precisão de seu perfil de monitor.
Mais informação sobre este assunto pode ser vista em:
<http://www.gretagmacbeth.com/index/products/products_color-mgmt-spec.htm>
<http://www.colorvision.com/profis/profis_view.jsp?id=10>
<http://www.xrite.com/product_overview.aspx?Line=32>
<http://www.pixl.dk/Download_documents/Profile_verification_UK2003.pdf>

Câmeras
Câmeras digitais profissionais possuem espaços de cor selecionáveis.
Fotografias capturadas com a finalidade de impressão, devem ser sempre feitas com um espaço de cor amplo, como o Adobe RGB (1998).
Fotos que serão usadas somente na web, podem ser capturadas usando-se um espaço de cor mais estreito, como o sRGB. É possível, mas não estritamente necessário, criar perfis de câmera personalizados. Quando tais perfis são aplicados, podem acelerar o processo do fluxo digital e mostrar cores mais precisas.
O programa Adobe Camera Raw permite a calibração de câmeras digitais, criando, para efeitos práticos, um perfil customizado, desde que se use sempre este programa e não outro software de processamento RAW.
Informação sobre o Adobe Camera Raw software está em:
<http://www.adobe.com/products/photoshop/cameraraw.html>
Instruções sobre como calibrar sua câmera digital estão em:
<http://visual-vacations.com/ColorManagement/cm_101/04camera.htm>
É essencial que o fotógrafo escolha o perfil de cor correto quando capturando JPEGs ou TIFFs, pois a câmera vai processar as imagens para estes formatos usando as informações do perfil especificado.
Capturar imagens no formato RAW oferece flexibilidade na pós-produção, permitindo o processamento e criação de imagens com a maior qualidade possível.
Fotógrafos que capturam arquivos RAW podem escolher o espaço de cor, o balanço de branco e, até certo ponto, o valor de exposição (configuração, ISO), depois de a foto ter sido registrada, por meio do software de processamento de imagens. Além disso, muitos processadores RAW possuem algoritmos de redimensionamento que, alguns dizem, é superior aos mecanismos de interpolação do Photoshop, por estarem trabalhando com os dados RAW; dados reais, de pixels, capturados pelo sensor de imagens da câmera. Arquivos RAW oferecem também mais profundidade de bits que o JPG, possibilitando edições mais agressivas, tanto no RAW quanto nos arquivos de 16 bit importados pelo Photoshop.
Muitos fabricantes de câmeras criaram formatos de RAW proprietários, sem documentação.
A Adobe está propondo um formato de RAW “open-source”, em uma tentativa de padronização, chamado de DNG (Digital NeGative). Caso seja adotada pelos fabricantes, esta padronização do formato RAW vai simplificar o acesso a arquivos RAW mais antigos, conforme a indústria de software evolua e programas mais modernos de catalogação e arquivamento surjam. Um primeiro passo positivo seria, por parte dos fabricantes, a disponibilização da documentação de seus formatos RAW proprietários. Enquanto esta padronização não se torna realidade, muitos fotógrafos estão convertendo seus arquivos RAW para o DNG, antes do arquivamento.
Informação sobre o DNG está disponível (em inglês) em: <http://www.adobe.com/products/dng/main.html>.
Entre os grupos pressionando por uma documentação aberta do RAW, o mais ativo é:
<http://www.openraw.org>
Câmeras digitais e programas voltados à imagem estão evoluindo rapidamente. “Signal-to-noise ratio” (a equação entre a quantidade de impulso elétrico e a formação de ruído) continua a diminuir, produzindo imagens mais limpas e com mais qualidade, para um mesmo padrão de megapixels usado anteriormente. Algoritmos de interpolação estão melhorando sensivelmente, o que torna inútil qualquer tentativa de se determinar uma quantidade mínima de megapixels para um dado tamanho de arquivo ou de imagem impressa.

Scanners
Aplicativos de scanners, do mesmo modo que as câmeras digitais, oferecem opções de escolha de espaços de cor para os arquivos resultantes. Um espaço mais amplo (wide-gamut space), como o Adobe RGB, para impressões gráficas, e um espaço mais limitado como o sRGB, para a web, são os padrões indicados. Além disso, o scanner deve estar corretamente perfilado para se obter o máximo de precisão de cores.

Área de visualização de provas e impressos – Light Booths
O padrão ideal é uma cabine de visualização, com uma fonte de luz D50, com dimmer.
Alternativas à cabine são luzes halógenas balanceadas para 4700K ou 5000K, ou lâmpadas fluorescentes (como a GE Chroma 50) balanceadas para 5000K. Um kit de verificação de perfis inclui um impresso que incorpora um GAFT RHEM (indicador de luz), que alerta caso sua área de visualização não seja D50. O verso da contra-capa do livro Real World Color Management, de Bruce Fraser, Chris Murphy e Fred Bunting (Peach Pit Press), também traz um indicador GAFT RHEM.
Você pode encomendar o livro (em inglês) em:
<http://www.peachpit.com/title/0321267222>
Você pode encomendar o indicador RHEM do GAIN (Graphic Arts Information Networks), em:
<http://www.gain.net/store/item.cfm?productid=648>

Laboratórios Profissionais Digitais Coloridos
A maioria dos laboratórios digitais profissionais que possuem um fluxo baseado em perfis ICC, normalmente se utilizam do sRGB como espaço preferencial para ser enviado ao RIP de impressão, ou o software gerenciador. Alguns poucos laboratórios trabalham com Adobe RGB, logo a melhor alternativa é sempre perguntar antes de enviar os arquivos. Aqueles laboratórios que oferecem perfis personalizados, geralmente disponibilizam estes somente como “soft proof”, já que são atualizados com periodicidade quando há troca de químicos, papéis, ou novas versões de softwares.

Laboratórios Digitais Coloridos de Consumo (Minilabs)
Existe uma base de dados gratuita, com os perfis ICC de laboratórios de todo o mundo, disponível para consulta no site Dry Creek Photo <http://www.drycreekphoto.com>. Os minilabs cobertos incluem Fuji Frontier, Noritsu, Agfa D-Lab, LightJet, Durst, Chromira entre outros. Pelo motivo destes minilabs geralmente não reconhecerem perfis incorporados, é geralmente necessário converter seus arquivos para os perfis destas impressoras antes do envio. Converter para estes perfis vai proporcionar uma melhor fidelidade de cores, e vai permitir que o fotógrafo faça a pré-visualização (soft-proof) de seus arquivos antes da impressão definitiva. Laboratórios que não se utilizam de perfis geralmente pedem que os arquivos sejam enviados em sRGB. Para evitar confusões, sempre incorpore um perfil (sRGB) mesmo sabendo que o laboratório pode descartá-lo. Saiba porém que usar um perfil sRGB vai provavelmente produzir cores menos precisas, e um gamut menor, do que os produzidos por estas impressoras quando utilizam seus perfis próprios.

Offset Printing – Impressão Offset
Recomendamos enfaticamente que todos os impressores offset (as gráficas) adotem os padrões ICC. Atualmente há uma enorme variação de procedimentos entre as gráficas, e não é possível fazer suposições sobre o padrão de cada uma delas.
Por muitos anos, as gráficas e fotolitos usaram um esquema de gerenciamento de cores chamado de circuito fechado (closed loop). Os filmes eram digitalizados em scanners cilíndricos (drum scanners), que através de software produziam uma imagem diretamente em CMYK. Este CMYK era preparado para um dispositivo de provas, a prova era aceita pelo cliente, e a impressora offset ajustada de modo que o impresso correspondesse à prova. Os perfis de cor eram nativos nos dispositivos do fluxo (workflow), e não diretamente incorporados aos arquivos de imagem. Isso significa que as gráficas não podiam oferecer perfis CMYK personalizados para arquivos digitais criados fora de seu workflow.
Hoje em dia, sabendo-se que de 60% a 80% das imagens enviadas para impressoras offset são arquivos digitais, a maioria das gráficas está mudando sua política de fluxo. Uma simples página impressa pode conter imagens digitais vindas de várias origens diferentes, portanto é muito mais fácil que uma gráfica possua um perfil CMYK que descreva o espaço de cor de sua impressora.
Como regra geral, em uma gráfica, a impressora offset consegue sempre produzir impressos semelhantes àqueles produzidos pela impressora de provas.
Duas organizações nos EUA criaram padrões para a indústria gráfica que permitem o uso de perfis CMYK standard. São o Comitê SWOP (Specifications for Web Offset Publications), que cobre as impressões offset em impressoras web, e a GRACoL (General Requirements for Applications in Commercial Offset Lithography), que cobre as impressões offset em impressoras “sheet-fed”. Ambos os padrões, SWOP TR001, e o GRACol’s DTR004, caso sejam largamente adotados, vão fazer com que as preocupações atuais com perfis CMYK personalizados sejam menores.
Informação sobre o SWOP está disponível (em inglês) em:
<http://www.swop.org>
Informação sobre o GRACoL está disponível (em inglês) em:
<http://www.gracol.com>
Fora dos EUA, organizações tais como o “The European Color Initiative” estão trabalhando para conseguir padrões semelhantes.
Informação sobre o ECI está disponível (em inglês) em:
http://www.eci.org/eci/en/041_offset.php
Quando o fotógrafo tem capacidade para tal, o melhor é que forneça arquivos com o perfil CMYK final já incorporado. Este deve ser o ICC personalizado que a impressora vai utilizar. Caso a gráfica não possuir um perfil próprio, o melhor é consultar o produtor gráfico do cliente ou agência, ou o próprio técnico da gráfica, para descobrir qual é o espaço de cor mais indicado para aquela impressão. Um perfil CMYK standard do Photoshop, que descreva as condições genéricas da impressora — sheetfed (plana) coated ou uncoated, ou web (rotativa) coated ou uncoated— pode ser o suficiente, particularmente se a gráfica segue os padrões SWOP, GRACoL ou ECI.
Neste novo período de fluxo digital, comunicação é a chave para o sucesso da impressão. Muitas vezes um arquivo digital tem que ser enviado a muitas gráficas diferentes, ou um projeto é fotografado e diagramado *antes* de uma gráfica específica ter sido escolhida. Nestes casos, o melhor é entregar um arquivo master em RGB. Estes arquivos master devem sempre levar incorporados um perfil RGB para assegurar uma cor precisa quando forem convertidos para os muitos CMYKs específicos das diferentes gráficas (saídas).
Envie imagens em RGB (especialmente Adobe RGB) para a gráfica apenas se esta já tiver experiência em converter arquivos RGB para CMYK — e somente se a gráfica for providenciar uma prova de cor antes da impressão final.
Caso a gráfica tenha conhecimento atualizado sobre o uso dos perfis ICC e pedir especificamente o arquivo em RGB, o melhor é submeter arquivos em Adobe RGB, ou possivelmente em um espaço de cores de menor gamut ainda, como o ColorMatch RGB. Se a gráfica não puder garantir que o perfil RGB será preservado antes da conversão para CMYK, então o melhor é enviar os arquivos com espaços de cor genéricos incorporados, tanto CMYK quanto RGB, tais como SWOP Coated V2 CMYK, (no Brasil, Euroscale CMYK), Color Match RGB ou sRGB.
Além do discutido tema sobre perfis de cor, talvez as maiores dúvidas e dificuldades para uma impressão de qualidade estejam no uso de uma resolução de arquivo não-apropriada. Algumas câmeras digitais produzem uma imagem nativa com x-polegadas de altura por x-polegadas de largura com 72 ppi. Isto faz com que, algumas vezes, a gráfica receba o arquivo com as dimensões (em cm) corretas, porém em 72 ppi. Este engano é tão comum, que todos os técnicos gráficos tem um mantra que diz “todos os arquivos necessitam de pelo menos 300 ppi de resolução, depois que as dimensões em altura e largura forem definidas.”
Isto pode ser usado como regra geral, mas caso você tenha um bom diálogo com uma gráfica confiável, padrões mais sofisticados, como o de se usar de 1.4 a 2.0 vezes a medida da tela meio-tom (LPI) para definir a resolução, possam produzir melhores resultados.

Arquivos-Mestre RGB – RGB Master Files
RGB master files (arquivos-mestre RGB), são arquivos do Photoshop (PSD ou TIFF), otimizados e salvos em um espaço de cor de gamut amplo (como o Adobe RGB ou ProPhoto RGB), na resolução nativa da câmera, ou interpolados para a resolução final por seu programa conversor de RAW. Estes arquivos devem ser mantidos sem unsharp mask (máscara de nitidez), ou com o unsharp aplicado a uma layer separada da imagem. Arquivos master RGB devem ser arquivados juntamente com os arquivos RAW do projeto.

Impressoras Inkjet e Dye-Sublimation
Você pode facilmente aplicar um fluxo de cores gerenciadas às suas impressoras desktop, com a ajuda dos perfis ICC.
Trabalhando com o driver da impressora fornecido por seu fabricante, desligue todo e qualquer gerenciamento de cores e imprima uma cópia de um arquivo target de imagem. Em seguida, com a ajuda de um spectrofotômetro, tome as medidas colorimétricas deste target impresso, para gerar um perfil ICC específico para aquela combinação de papel/impressora. Repita a operação para cada tipo de papel usado com aquela impressora.
A maioria dos softwares de RIP (Raster Imaging Processor) já trazem embutido uma série de perfis ICC, para uma grande variedade de papéis, além de permitir o uso de perfis personalizados.

Guide Prints – Cópias-Guia
Perfilar uma impressora desktop é uma tarefa fundamental para um fotógrafo que envie uma cópia-guia junto com seu arquivo – e é parte integrante deste guia prático.
Isto é particularmente verdade com arquivos CMYK a serem submetidos para uma impressão offset. A não ser que usem um sistema de provas coloridas homologado pela SWOP, todos os fotógrafos devem anexar um documento deixando claro que a cópia-guia *não* é uma prova de contrato, e sim apenas uma referência de cores. Como geralmente as cópias produzidas por impressoras jato de tinta RGB possuem um gamut mais amplo que o das impressoras offset, uma cópia-guia poderá refletir de modo mais preciso o que vai ser impresso na gráfica se for usado o método de “cross-rendering” (processo cruzado). O método citado envolve, imprimir a partir de seu espaço de saída atual, através de um espaço de saída intermediário, que simule a aparência do espaço de saída final (a gráfica). Por exemplo, na caixa de diálogo “imprimir” do Photoshop, o espaço origem deve ser ou o CMYK do arquivo, ou o CMYK da prova. Ao escolher a intenção de renderização Relativa Colorimétrica, você vai limitar o gamut de cor da impressora ao gamut do arquivo CMYK, produzindo uma cópia mais próxima da impressão final. Se, por outro lado, a intenção de renderização for a Absoluta Colorimétrica, e o “simulate paper color” do Photoshop CS2 estiver marcado, é possível simular com mais precisão a impressão final da gráfica, pois os brancos vão estar mais apagados, se aproximando ao tom do papel usado na impressão final.
Uma cópia-guia não pode e não deve ser confundida com uma “prova” (proof). Este termo diz respeito a uma “prova de contrato”, produzida por uma gráfica, pre-press ou fotolito, e criada a partir dos mesmos filmes ou chapas que serão usados para a saída impressa. No caso de um fluxo “direct to plate”, as provas são criadas em impressoras especiais, RIPs calibrados e papel especial para provas, para obter-se uma simulação mais precisa das condições reais da impressora gráfica.

As “Provas de Contrato” são assinadas e consideradas a garantia fornecida pelos impressores (ou pelo pessoal do pre-press), de que o impresso vai ser igual ao que foi visto nesta prova.
Invariavelmente qualquer prova certificada pelo SWOP prevê uma precisão maior na indicação das cores dos arquivos digitais entregues a uma impressora offset. Sistemas certificados pelo SWOP são uma combinação de um software RIP gerenciando uma impressora específica para provas.
Mais informação sobre sistemas SWOP pode ser visto (em inglês) em:
<http://www.swop.org/certification/certmfg.asp>

Arquivamento
Arquivos digitais se acumulam. Sem um arquivamento lógico e cuidadoso, pode ser muito difícil encontrar determinada imagem.No entanto, a maioria dos formatos de imagem, (incluindo todos os indicados aqui) incluem espaço para metadados que facilitam a catalogação e busca, quando usados com programas de gerenciamento digital (DAMs-digital asset management , como o Extensis Portfolio ou o iView MediaPro). Incorporar os metadados IPTC logo no início do seu fluxo digital, somados a uma numeração lógica e nomes padronizados, vai certamente acelerar a catalogação e facilitar as buscas.
Visite <http://www.extensis.com/en/products/asset_management.jsp> ou <http://www.iview-multimedia.com> para mais informações.
Gravar cópias múltiplas de suas imagens em discos rígidos redundantes, é hoje o modo mais conveniente e barato para evitar a perda de dados. Backups adicionais em CD-Rs e/ou DVD-Rs também é aconselhado. É importante notar, porém, que diferentes marcas de mídias (CDs e DVDs) podem apresentar qualidades diferentes de arquivamento, e ciclos de vida mais ou menos curtos. Use somente mídias de boas marcas; queime seus discos em velocidades baixas; não use etiquetas adesivas em discos; escreva diretamente nos discos apenas com canetas especiais para escrever em Cds ou DVDs. Uma prática prudente é manter pelo menos uma cópia de todo o seu arquivo em um lugar separado de seu local de trabalho. Com o passar do tempo, é provável que sistemas operacionais mudem e novos tipos de mídia surjam, e vai ser necessário migrar seus arquivos digitais. A maior parte das empresas e instituições tem sido lentas em reconhecer a necessidade dos programas de gerenciamento digital, logo é importante que o fotógrafo mantenha seu arquivo de imagens digitais bem organizado.
Sugerimos que sempre se discuta com os clientes de quem é a responsabilidade da manutenção dos arquivos digitais, para evitar a perda irreversível das imagens.
Formatos de Imagens para Arquivamento
O arquivamento dos arquivos RAW para os fotógrafos que usam uma DSLR é provavelmente um dos maiores desafios quando se pensa em arquivamento de longa duração. Pelo fato de cada modelo de câmera produzir um arquivo RAW diferente dos outros, a possibilidade deste arquivo não ser lido no futuro é bem alta. Fotógrafos devem estabelecer uma estratégia defensiva para enfrentar este problema; uma estratégia que leve em conta a obsolescência dos formatos e a necessária migração periódica dos arquivos.
A migração dos formatos de arquivo refere-se à prática de converter os arquivos de imagem existentes para outro formato. Isto pode ser feito convertendo-se para TIFF, DNG ou para um formato futuro ainda não inventado!
Cada uma destas escolhas traz vantagens e desvantagens em relação à qualidade da imagem, necessidades de armazenamento, e fluxo de trabalho.
Alguns destes conceitos são expostos abaixo.
Conversão para arquivos TIFF
Ao converter seus arquivos para o formato TIFF, o fotógrafo está mantendo suas imagens no formato de arquivo mais accessível atualmente. Pelo fato do TIFF ser um padrão aberto, é provável que possa ser lido ainda por um longo tempo. O TIFF também oferece uma vantagem de fluxo; ao converter para TIFF, você provavelmente vai eliminar a necessidade de reconversão por muitos anos, talvez por toda a sua vida. Desta forma, as imagens podem ser convertidas e arquivadas com a confiança de que vão ser accessíveis mesmo em um futuro remoto.
Há um lado ruim, porém; arquivos TIFF são muito maiores que arquivos RAW. Convertendo-se uma imagem para um TIFF de 16 bits pode ocupar até 10 vezes mais espaço que um RAW, e 15 vezes mais espaço que um DNG.
Isto claramente aumenta o custo do armazenamento. Outra limitação da conversão para TIFF é que ela impede o uso de conversores RAW melhores e mais precisos, que fatalmente surgirão no futuro. Da mesma forma que o Photoshop CS2 converte melhor que o Photoshop CS, é provável que os conversores RAW de um futuro próximo produzirão melhores resultados que os atuais.
Arquivando imagens em RAW
Caso o fotógrafo escolha o arquivamento em RAW, ele estará preservando o maior número possível de opções para uma futura conversão dos arquivos. Com a melhoria dos programas de conversão, novas versões do mesmo arquivo poderão ser produzidas, com melhor fidelidade de cores, maior redução de ruídos, e interpolações de mais qualidade.
Mas isto também tem seu lado ruim. Arquivos RAW vão ter que ser convertidos para um formato universal no futuro, o que implica na conversão e recatalogação de centenas de milhares de imagens digitais. Se tal conversão não for providenciada *antes* que aquele formato particular de RAW se torne ilegível, a conversão pode simplesmente não acontecer, e os arquivos serão irremediavelmente perdidos.
Adicionalmente, já que arquivos RAW são de formatos proprietários, não é completamente seguro alterar estes arquivos. Isto significa que qualquer ajuste ou interpretação, feitos nestes arquivos, como a adição de metadados, ou correções na imagem, não podem ser gravados no próprio arquivo. Estes ajustes são geralmente gravados em arquivos “sidecar” (.xmp) que acompanham a imagem, ou em grandes bases de dados que gerenciam os dados. Separar a imagem e seus ajustes desta forma pode se tornar um grande problema de gerenciamento dos arquivos no futuro, quando se tentar incluir ambas as gravações em uma só conversão.
Arquivando imagens em DNG
Os arquivos RAW podem ser convertidos para DNG, que é um formato aberto, podendo armazenar os dados RAW de imagem, os metadados incorporados, e um JPEG de visualização da imagem com as cores corrigidas. O formato de arquivo DNG se torna assim uma plataforma comum para informações sobre a imagem e seus ajustes. Por este motivo, programas de catalogação como o iView Media Pro e o Extensis Portfolio podem ler perfeitamente os metadados inseridos no Bridge ou no Photoshop, e podem interpretar corretamente os ajustes feitos no Photoshop ACR.
Arquivos DNG podem ser reabertos no Photoshop ACR como se fossem arquivos RAW, oferecendo todas as possibilidades de interpretação possíveis, como o arquivo RAW original. O DNG provavelmente vai poder ser lido bem depois de aquele RAW ter ficado obsoleto, simplesmente porque provavelmente vão haver no futuro muito mais arquivos DNG que os diversos RAW proprietários existentes hoje. Outro benefício é a economia de espaço que o DNG proporciona em relação ao RAW original, já que possui um mecanismo de compressão sem perdas (lossless) que reduz em até um terço o tamanho do arquivo. Ao converter então o seu arquivo RAW para DNG, você estará garantindo vida longa à imagem, evitando novas migrações por um bom tempo e economizando espaço. Uma outra possibilidade do DNG é a de incorporar o arquivo RAW original, que pode ser reconvertido (extraído) do DNG a qualquer momento. Claro que usar esta opção em particular, vai praticamente dobrar o tamanho do DNG em relação ao RAW original.
Existe um fator a ser ponderado, porém; a conversão para o DNG vai invariavelmente necessitar de um passo extra no momento do processamento do RAW. Não é realmente demorado, mas é um passo a mais no seu fluxo digital. Outro ponto a ser ponderado ao converter o seu RAW proprietário para o DNG, você estará abrindo mão de usar o processamento feito pelo software do fabricante. Se por acaso você gosta mais do processamento do software proprietário do que do resultado do ACR do Photoshop, então o DNG pode se tornar inaceitável.
O conversor DNG vai sempre tentar copiar os “Undocumented Maker Notes” (notas não-documentadas do fabricante) para os metadados do arquivo DNG. Estas notas do fabricante podem incluir informações úteis em uma posterior conversão, tais como de “dust reference”, ou de aberrações cromáticas. Ao converter hoje para DNG, porém, pode ser que estas informações se percam, justamente por serem não-documentadas pelos fabricantes.
Esta análise dos formatos de arquivamento de imagens foi preparada por Peter Krogh.
Uma discussão mais profunda deste assunto, assim como informações relacionadas à criação e manutenção de arquivos digitais, podem ser encontradas no livro (em inglês), The DAM Book, Digital Asset Management for Photographers <http://www.theDAMbook.com>, publicado por O’Reilly.

Prática: Aplicando o guia em seu fluxo digital

Nenhum fluxo digital padronizado vai servir a todos os fotógrafos ou clientes. O workflow ideal deveria encontrar a melhor combinação de qualidade e serviços, para atender ao bolso e as necessidades do cliente. Por ser uma atividade relativamente nova, cabe ao fotógrafo explicar regularmente aos clientes os compromissos entre custo e qualidade nos diferentes fluxos digitais.
Um fluxo baseado em filmes é relativamente simples. Os fotógrafos entregam os filmes, os designers ou diretores de arte decidem quais as fotos a serem usadas e como, e os produtores gráficos e bureaux fazem a separação de cores e fotolitos para que sejam impressas em offset.
As câmeras digitais, assim como scanners (digitalizações) de filmes, produzidos por fotógrafos e agências, estão agora tomando o lugar do antigo fluxo com filmes. Embora os clientes tenham adorado a velocidade e conveniência das capturas digitais, eles ainda não entendem completamente o que é necessário para que se consiga o mesmo nível de qualidade que tinham com os filmes. Com a exceção daqueles envolvidos com fluxos de grande volume e rapidez, a maioria dos fotógrafos tem que decidir como preparar corretamente os seus arquivos digitais. Alguns fotógrafos fazem questão de evitar as distrações impostas pela preparação destes arquivos. Outros, porém, se dedicam desde o início do processo, pois isto acaba permitindo ao fotógrafo obter um poderoso controle sobre a reprodução de suas imagens.
Perfis ICC e “soft proofs” permitem aos fotógrafos uma pré-visualização de suas imagens antes que se transformem em displays ou impressos gráficos.
Analisando soft proofs em seus monitores calibrados, aqueles que se empenham na preparação de arquivos de imagem podem entregar aos produtores gráficos arquivos que irão ser impressos no papel reproduzindo com grande similaridade (se não com precisão) aquilo que foi visto nos monitores.
Com alguns fotógrafos cuidando da preparação dos arquivos, e outros a evitando, é lógico que os clientes se sintam confusos, sem saber de quem é a responsabilidade sobre este trabalho, quem deve pagar por ele, e de quanto é este custo.
Muitos já tentaram preparar arquivos de imagem sem que o monitor estivesse calibrado, tendo resultados desastrosos. Outros assumem que as gráficas e os impressores estão acostumados a trabalhar com arquivos RGB. Porém, uma pesquisa publicada na edição de fevereiro de 2005 do Printing Color Digest descobriu que, de 800 gráficas offset entrevistadas, apenas quatro aceitavam arquivos RGB em seu workflow. Quando um arquivo RGB é enviado para uma gráfica, o maior risco é que um operador desavisado abra seu arquivo RGB em um espaço de cor errado, alterando as cores, e então perpetue o erro ao transformar imediatamente o arquivo para CMYK. Se o operador receber um arquivo RGB sem perfil algum (untagged), e não houver uma comunicação clara (por telefone ou por meio de um arquivo-texto “leia-me”), indicando qual o espaço de cores da imagem, o operador vai provavelmente abrir o arquivo no espaço de trabalho RGB padrão do bureau. Este pode ou não ser aquele para o qual o arquivo foi preparado.
Mesmo quando um arquivo estiver com o perfil ICC corretamente incorporado, e seu perfil for preservado ao ser aberto pelo operador, podem haver problemas ao se usar um RIP para a conversão RGB/CMYK. A maioria dos softwares de RIP não usa a compensação de ponto preto, e sem esta compensação algumas conversões acabam ficando “flat”, sem contraste, e sem saturação (muddy).
Os workflows descritos abaixo são de natureza genérica. Eles tem a intenção de mostrar possibilidades e opções, e não servir como um guia passo-a-passo. O fluxo ideal é um alvo móvel. Ele varia com a natureza do projeto, as capacidades do fotógrafo, as necessidades do cliente, e talvez o mais importante, as restrições de tempo e de orçamento.
Os fotógrafos devem adotar e adaptar seus fluxos para que se encaixem nos parâmetros do projeto.
Fluxos Digitais:
Alto Volume, Pouco Tempo
Alto Volume, Tempo Médio
Baixo Volume, Alta Qualidade
Alto volume, Alta Qualidade

Alto Volume, Pouco Tempo
Exemplos: a maioria das notícias jornalísticas, esportes para jornais e revistas, eventos, a maioria dos trabalhos de relações públicas.
O foco é na velocidade. Existe um compromisso calculado entre o máximo de qualidade e a velocidade de entrega. Consequentemente, estes fluxos foram os primeiros a se adaptar ao digital e substituir os filmes.
Algumas soluções possíveis incluem:
JPEGs de alta qualidade, capturados ou em Adobe RGB para impressão, ou em sRGB para a web são apropriados em muitas situações.
Câmeras profissionais digitais oferecem controles de balanço de branco (surpreendentemente precisos em modo automático), aumento de nitidez (sharpening) e curvas tonais personalizadas que podem ser aplicadas na captura e produzir JPEGs que na maioria das vezes são adequados – quando não excelentes – para reprodução.
Algumas vezes JPEGs devem ser reduzidos ou comprimidos na câmera ou após a captura, para que possam ser transmitidos de acordo com as limitações de largura de banda e tempo.
É previsto e esperado que organizações de notícias e gráficas tenham pessoal treinado para receber as fotos transmitidas e as preparem para impressão, transmissão ou para a web.
Softwares como o PhotoMechanic permitem que se incorporem dados IPTC no momento da transferência dos arquivos entre o cartão de memória e o computador, economizando tempo e garantindo que os arquivos recebidos já tenham legendas, créditos e informações de catalogação incorporados.
Vá para <http://camerabits.com> para mais informações.

Alto Volume, Tempo Médio
Exemplos: revistas mensais, catálogos institucionais, relatórios anuais, sites na web, performances de dança e teatro, alguns tipos de publicidade.
Existe um foco maior em equilibrar a velocidade, a qualidade e os custos. Isto nos leva a várias questões sobre quem faz o que nestes fluxos.
Algumas possibilidades e preocupações incluem:
A dúvida entre capturar arquivos RAW ou JPEGs de qualidade máxima.
Uma simples pauta pode gerar milhares de imagens que podem levar muitas horas de processamento RAW. Se a fotografia é direta, a luz é boa (pelo menos não misturada), e o uso previsto é a web, transmissão televisiva, jornais ou revistas impressas em rotativas, então uma captura JPEG pode ser a solução.
Se o uso previsto for de alta qualidade, em impressoras offset planas,se a iluminação é misturada ou baixa (necessitando de um ISO mais elevado), a saída final for uma página inteira ou dupla, ou houver uma forte chance de que a imagem venha a ser usada em outros usos que requeiram alta qualidade, então capturar em RAW vai permitir a maior qualidade do arquivo.
Como apresentar as fotos para o cliente, diretor de arte ou editor.
Embora existam vários bons visualizadores de imagens (image browsers), incluindo o que vem integrado ao Photoshop, velocidade e conveniência frequentemente pedem pelo upload de uma galeria web para a edição.
Caso a captura não tenha sido em sRGB, que é o espaço de cor padrão da maioria absoluta dos programas de web, cópias das imagens devem ser produzidas neste espaço de menor gamut antes de ser publicadas na web. Normalmente isto vem acompanhado por uma redução no tamanho e na resolução do arquivo, para que carregue rápido. Imagens de prova na web, tipicamente devem ter entre 500px e 1200px na sua maior dimensão (altura ou largura), a não ser que o editor ou designer necessite de visualizar todos os mínimos detalhes.
Como entregar arquivos para reprodução.
Clientes tem duas escolhas básicas:
1) pedir as imagens otimizadas pelo fotógrafo; ou
2) receber os arquivos da câmera e ficar com a responsabilidade de otimizar as imagens para a reprodução. Em ambos os casos, alguém que entenda de gerenciamento e correção de cores, ajuste de contraste e técnicas de sharpening vai ser responsável por preparar os arquivos.
Alguns formatos para arquivos de saída incluem:
Fotógrafo entrega JPEGs ou TIFFs em alta resolução, sem correção alguma.
No mínimo o fotógrafo deve incorporar o espaço de cores dos arquivos e avisar por escrito que espaço é este, a não ser que tenha sido explicitamente instruído de outra forma por quem vai receber as imagens. Se o método de entrega pode acomodar arquivos grandes e o cliente tem o software, hardware e expertise suficientes para lidar com estes, então arquivos TIFF de 16 bit (48 bit RGB)são provavelmente a melhor escolha.
Fotógrafo entrega arquivos RAW.
Embora não seja recomendada, esta agora é uma opção, já que o Adobe Camera RAW do Photoshop tem suporte à maioria dos formatos RAW de câmeras digitais. Porém, a não ser que o fotógrafo inclua os arquivos .xmp correspondentes (pequenos arquivos-texto que descrevem como o RAW deve ser processado), o cliente não terá meios de saber quais as intenções do fotógrafo com respeito a cores, contrastes e tonalidades.
Trabalhar com arquivos RAW também vai exigir computadores de última geração, software atualizado, um fluxo de trabalho com gerenciamento de cores, e uma experiência grande em processos fotográficos digitais.
Fotógrafo entrega JPEGs ou TIFFs em alta resolução, otimizados, em um espaço de cor apropriado, pré-definido, e incorporado ao arquivo (tagged).
Restrições de orçamento – assim como as variações de exposição, cor e contraste entre cada uma das fotos – vão definir o quanto o fotógrafo vai otimizar ou não cada uma das imagens, ou se os arquivos podem ser processados em lote. Equilíbrio entre custo e qualidade, assim como a responsabilidade do cliente em ajustar os arquivos para a saída final, devem ser perfeitamente combinados e entendidos por todos os envolvidos.

Algumas questões a serem consideradas incluem:
a.) Entregar (ou não) arquivos TIFF em 16 bit, para permitir a maior quantidade possível de ajustes durante o fluxo futuro da imagem. O cliente deve ter espaço de armazenamento, conhecimento e poder de processamento para lidar com estes arquivos.
b.) Sharpen (ou não) a imagem antes da entrega. O sharpening só é apropriado para imagens entregues na resolução e tamanhos finais, e quando o fotógrafo tem conhecimento pleno das necessidades de sharpening daquela saída específica. Caso algum tipo de sharpening tenha sido aplicado a uma imagem a ser entregue, o fato deve ser claramente indicado, ou por meio de um arquivo de texto “Leia-me” acompanhando o arquivo, ou na mídia de gravação (ex: CD-R), ou na borda da imagem. Aplicar um sharpen em um layer (camada) duplicado, dentro de um arquivo de imagem (TIFF ou PSD), permite maior flexibilidade de redimensionamento ao cliente.
c.) Avaliar a necessidade e decidir quando e o quanto comprimir imagens salvas como JPEGs.
Os JPEGs são convenientes quando muitas imagens precisam ser entregues, ou quando a largura de banda ou o meio de armazenamento for limitado. Porém, a cada vez que um arquivo é salvo como um JPEG, ele perde dados de imagem e ganha artefatos digitais (ruído). Quanto maior for a compressão, maior o dano ao arquivo. Quando estiver editando um JPEG (criado por uma câmera ou scanner, ou no pós-processamento), o melhor é sempre salvar a imagem modificada como TIFF ou PSD. O ideal é que o fotógrafo só entregue arquivos JPEG com pouca compressão (qualidade 10, 11 ou 12), otimizados e dimensionados precisamente para a saída adequada.
d.)Fotógrafo entrega um arquivo-mestre RGB.
Se o uso final for a impressão offset, considere a criação e arquivamento de arquivos-mestre em RGB. Um arquivo-mestre é usado para criar diversos arquivos CMYK finais, que serão dimensionados, perfilados e preparados para saídas gráficas específicas em offset. O fotógrafo pode ajudar a assegurar um fluxo sem sustos ao entregar junto uma cópia-guia “cross-rendered”.

Baixo Volume, Alta Qualidade
Exemplos: Publicidade de alto custo, foto ilustrações, retratos, editoriais de luxo, arquitetura.
Câmeras de alta resolução capturando arquivos RAW, ou scanners cilíndricos de alta qualidade (normalmente digitalizando filmes de médio ou grande formato) são o padrão. Retoques, fusões e outros procedimentos especiais no Photoshop são comuns. Alguns fotógrafos costumam realizar estes serviços eles próprios, enquanto outros contratam assistentes digitais e retocadores. O tempo e esforço envolvidos na pós-produção são geralmente iguais ou maiores do que na captura. Geralmente o trabalho de pós-produção vai significar um arquivo-mestre em RGB. Como este arquivo vai ser preparado para a saída final vai depender dos usos previstos pelo cliente, como discutido acima. Em alguns casos, o mais indicado é a entrega de várias versões diferentes derivadas do arquivo-mestre, tais como um arquivo de alta resolução em AdobeRGB, um arquivo em resolução de tela sRGB, e um CMYK preparado para as condições de impressão combinadas, provavelmente redimensionado e com unsharp mask já aplicados.

Alto Volume, Alta Qualidade
Exemplos: Fotografia para catálogos e produtos.
Os métodos são frequentemente similares aos de Baixo Volume, Alta Qualidade. No entanto, para acelerar a produção, um fluxo com grande quantidade de imagens geralmente se beneficia de um bureau digital ou um prepress. Em alguns estúdios especializados particularmente em catálogos, e onde todas as condições podem ser cuidadosamente controladas, um fluxo de trabalho baseado em JPEG pode ser vantajoso.


Este documento, preparado pelo grupo de trabalho UPDIG, representa um consenso da indústria norte-americana em setembro de 2005. Pelo fato dos padrões de produção digital e melhores práticas estarem constantemente evoluindo, nós recomendamos verificar sempre o website da UPDIG, em http://www.updig.org para updates e informações suplementares.

Principal author: Richard Anderson

Contributors: Andre Cornellier, Bob Croxford, Peter Dean, Dennis Dunbar, Robert Edwards, George Fulton, Judy Herrmann, Peter Krogh, Bob Marchant, Sam Merrell, David Riecks, Stanley Rowin, Greg Smith, Eddie Tapp.
Thanks to ASMP leadership for providing staff time to create the HTML and PDF versions. This edition of the Guidelines has been printed and distributed by ASMP

© 2009 UPDIG. All rights reserved. Permission is hereby granted to reproduce this document in full, but not to alter or abridge it. Every reproduction must include the logos of the UPDIG member associations and the list of contributors; it must identify the version of the document (this is version 1.0, released in September 2005); and it must provide a link to the latest version on the UPDIG web site, http://www.updig.org/printed/


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